Festival de cervejas neste domingo em Buenos Aires!

beer day festival copo de cerveja enchendo

Uma dica de último minuto para todos que estão em Buenos Aires neste domingo, 26 de maio, às 14h: vai rolar no shopping Buenos Aires Design o Beer Day Festival, reunindo os principais produtores de cerveja do país e convidados do mundo inteiro.

Funciona assim: a entrada na hora custa $120 e te garante a degustação de cinco estilos de cervejas (Honey, Bitter, Scotch, Porter e Imperial), além de acesso as cinco palestras de mestres cervejeiros, incluindo um brasileiro – Gustavo Renha, sommelier de cerve formado pela Association de La Sommellerie Internationale – e argentinos reconhecidos pelo mundo graças ao seus conhecimentos cervejeiros.

Se você não está na onda das palestras e só quer beber, o Beer Day Festival reúne mais de 20 cervejarias e mais de 50 variações para você entornar o caneco até a 1h da manhã de segunda-feira – ouvindo rock and roll com o The Soulmen, uma banda cover dos Blue Brothers. E quem chegar entre 14h e 18h ganha também um copo de cerveja artesanal de 300 ml!

O Buenos Aires Design está na Recoleta, ao lado do cemitério, do T.G.I. Fridays e do Hard Rock Café. Você pode dar um pulo lá e depois ainda tem um montão de outras coisas para fazer por perto (essa é a dica pro cara que precisa convencer a namorada!).

Beer Day Festival

Domingo, 26/05, das 14h às 01h
$120 (na hora)
Buenos Aires Design – Av Pueyrredón 2501
http://www.beerday.com.ar/
http://www.facebook.com/BeerDay.Festival

Um rolê por três bares em San Telmo

Minhas idas a San Telmo geralmente se resumem ao Breoghan e ao Treffen. Porém como há algum tempo não dava um rolê pela região, decidi fazer um tour por vários bares. Saímos só com ponto de partida e terminamos por três lugares, todos com entrada free: Puerta Roja, Las Del Barco e no De Bar, minha descoberta da noite.

O primeiro deles é um dos pontos mais bombados do bairro. Dizem que a fila na entrada do Puerta Roja é comum, mas das poucas vezes que fui, nunca tive que esperar. Tem mesa de bilhar, happy hour até às 10h e boas comidas (nachos bem servidos e o fish & chips também é bem elogiado).

Cheguei com amigos às 0h30 e começamos com cervejas artesanais: IPA e Antares ($35 e $30 o pint, respectivamente). O lugar é pequeno e conseguir uma mesa é complicado, mas o ambiente é bacana. Geralmente também transmite partidas de futebol – e até abre mais cedo, se tiver um jogaço na Europa, por exemplo.

O ponto dois foi o Las Del Barco, um bar a duas quadras do melhor hambúrguer de San Telmo, no Breoghan. Ambos estão na Calle Bolivar, no caminho do colectivo 29, cruza de Palermo à San Telmo. A diferença do outro bar é que o Las Del Barco tem mais movida. Costuma ter gente dentro e fora, você pode sair com o copo de bebida na rua e puxar um papo com gente de outros países. A cerveja também sai por menos: fomos de Isenbeck (que está entre as populares) e dois pints de 500ml valem $40 (isso já às 1h30 da manhã!). Ficamos um tantinho mais e saímos sem rumo.

Procurando o terceiro lugar da noite passamos pela porta do Será de Diós – que é outro lugar com drinques bem feitos e com preço bacana, mas o movimento estava caído e não entramos. Caminhando algumas quadras mais chegamos no De Bar, um lugar onde definitivamente voltarei mais vezes.

Agenda De Bar San Telmo Buenos Aires Maio 2013

O conceito do bar são as noites temáticas: cada dia tem uma seleção dupla de bandas de rock que tem seus clipes exibidos em vários telões. Você vai passar a noite com “dobradinhas” como Muse & Radiohead, Queen & Bowie, Foo Fighters & Stone Temple Pilots ou temáticas como Metal, Granjeste Hits e Clássicos – que era o da noite, com Led, Kiss e Beatles.

O De Bar é bem grande, primeiro andar e subsolo e um pouco cara de balada, embora seja essencialmente um bar. Chegamos por volta das 3h e ainda aproveitamos a cerveja tirada de litro por $32, o melhor preço para o horário e região que já encontrei. O ambiente também tem um ar mais aberto, o que ajuda na hora do approach – além da música, já que a probabilidade de encontrar um montão de fãs das mesmas bandas que você.

Abaixo um mapa com o endereço dos três bares. Estão a 800 metros um do outro e entre eles você pode encontrar vários outros bares, quase todos com entrada sin cargo. Deste três, nenhum cobra entrada e ficam abertos até tarde -até porque, a noite portenha começa a bombar mesmo lá pelas 2h da manhã!


Ver mapa maior

Casa Rosada: faça uma visita (gratuita) a sede do governo argentino

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Acredito que todo mundo que visita Buenos Aires em algum momento passa pela Casa Rosada. Geralmente olhando por fora, às vezes uma foto – mas geralmente uma passagem rápida. Só que todo mundo também pode conhecê-la por dentro e não custa un pesito!

Aos finais de semana e feriados o palacio del gobierno é aberto das 10h às 18h e tem visitas guiadas várias vezes por hora. Na primeira vez que eu estive, ao final da tarde, entrei ao saguão principal e vi a galeria de quadros dos grandes patriotas da América Latina, mas desisti de ir à visita guiada pela longa fila. Na segunda tentativa, no comecinho da tarde, a fila estava curtinha e entrei em poucos minutos. Ou seja, se você não quer esperar, chegue cedo (ou vá com tempo).

Galeria de Patriotas Latinoamericanos

Galeria de Patriotas Latinoamericanos

A visita guiada dura quase uma hora e vai pelos dois andares do edifício. A passagem é bem rápida por cada salão, então organize seu tempo. O salão de pintores do Bicentenário, o de ídolos populares e o das grandes mulheres argentinas são alguns dos espaços visitados.

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Casa Rosada é repleta de grandes salões

O das mulheres argentinas é de onde Cristina habitualmente faz seus (longos) discursos oficiais, com direto a miniatura do Edificio del Ministerio de Obras Públicas, que tem em sua fachada uma imagem feita em aço de Evita Peron, uma das argentinas mais conhecidas (e amadas) pela sua presença política. A própria Evita também tem uma sala sua, com fotos, roupas e móveis usados por ela.

É desta sala que Cristina faz seus discursos para a TV

É permitido tirar fotos por praticamente todo o trajeto – menos pela sala da presidente Cristina Fernandéz Kirchner. A razão alegada é que imagens do local são um risco para a presidente, já que podem ser usadas em um atentado contra ela e para instigar roubos. Do que me lembro, além de fotos dos filhos e itens comuns a qualquer sala (mesa, poltronas, etc), ela tem um quadro do Elvis!

A Casa Rosada é linda, apesar de claramente estar precisando de um cuidado maior – pois pega mal a casa de um governo ter fios soltos, andaimes no meio do pátio e móveis enferrujados mal escondidos. Mas em linhas gerais – ou onde mais importa, digamos – o palácio é bem bacana.

Na saída há um livro de visitas, livre para assinaturas e recados. Não resisti e deixei uma mensagem sincera para a Senhora K:

La casa está linda, la inflación no

La casa está linda, la inflación no

Deixo vocês com uma galeria de fotos da Casa Rosada. E faço mais uma sugestão: aproveite para fazer uma visita antes ou depois de ir em Puerto Madeiro (que fica logo atrás) ou San Telmo (logo ao lado). Outra dúvidas podem ser tiradas no site da Casa Rosada.

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Protesto permanente de ex-combatentes da Guerra das Malvinas

Fios soltos pelo palácio

Fios soltos pelo palácio

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Visita ao palácio dura quase uma hora

Um pouquinho de sujeira mal escondida

Um pouquinho de sujeira mal escondida

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Vista da Plaza de Mayo a partir da sacada do palácio

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Salão dedicado à Evita Perón

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Mesa onde ficam os ministros do governo durante os discursos dela na TV, ao lado do palanque da Cristina

 

Sem palavras, o Ministro da Economia da Argentina confessa a situação inflacionaria do país

Eu frequentemente comento algo sobre economia por aqui. Inflação e o mercado ilegal de cambio são assuntos que me interessam muito e influenciam a vida de muita gente por aqui. Eu falo pelo que leio e pelo que pago, mas desta vez há alguém mais importante para comentar sobre o custo de vida na Argentina.

Com vocês, o Sr. Ministro de Economía Hernán Lorenzino durante uma entrevista para uma jornalista da Grécia (que como sabemos, também anda mal das pernas) que ganhou os principais meios de comunicação do país hoje. Confira a partir de 1m07s o que ele tem para falar sobre a inflação na Argentina:


Se o seu espanhol não chega para entender a história toda, eu resumo aqui: o ministro balbuceou para falar qual era a inflação do país e disse que “se não se engana”, está em 10,2% nos últimos 12 meses.

Ao final, pediu para que a câmera fosse desligada, que “preferia ir” e manter a sua resposta até onde já havia falado. Depois, uma assessora tenta explicar a preocupação do ministro e argumentou que sobre inflação “nós não falamos nem com a imprensa argentina”.

Aqui tenho outro post sobre o tema, feito em janeiro: Inflação na Argentina, triste como o tango

Por que é complicado comprar ingressos para os jogos do Boca e River

“Vou para Buenos Aires e quero assistir a um jogo do Boca. Como eu faço?”.

Essa é uma questão que sempre preciso explicar aos amigos e leitores do blog. Infelizmente, a resposta não é a que todos gostariam de ouvir: é complicado e custa caro.

O que acontece é o seguinte: o Boca Junior tem mais sócios do que lugares no estádio. E os sócios tem prioridade para comprar os ingressos. Há alguns anos, a atual diretoria decidiu criar uma nova categoria de sócio, os “aderentes”, que pagam $50ARS ao mês e formam uma segunda lista de espera, podendo comprar os ingressos que não foram utilizados pelos principais.

E só depois deles é que entramos nós, que só estamos interessados em ver uma partida. Porém, as entradas para os torcedores “comuns” só são vendidas no dia do jogo. Ou seja, você precisa esperar para saber se todos os sócios, que só nos “prioritários” são mais de 100 mil. O La Bombonera comporta 49 mil, assim que são 100% mais do a capacidade.

A capacidade do La Bombonera é de 49 mil pessoas

A capacidade do La Bombonera é de 49 mil pessoas

Mesmo assim, frequentemente eu vejo que algumas partidas com o estádio lotado… De lugares vazios. O que acontece é justamente é a falta de planejamento nas vendas entre estas três categorias. Assim, jogos sem muita importância não lotam o estádio. O que está sendo feito para mudar este problema (e gerar mais receita ao clube) é uma atualização da lista dos sócios prioritários, “limpando” daí os que não usam com freqüência de seu benefício e subindo os “aderentes” para a lista principal. Segundo me contou um amigo torcedor, a promessa da diretoria é subir 2000 de categoria por ano.

A realidade do River Plate é parecida. Mais sócios que lugares no estádio. Porém alguns setores do estádio (os melhores e mais caros) são vendidos aos torcedores comuns. Fiquei muito surpreso ao descobrir que o River colocou à venda online ingressos para o torcedor comum – é a primeira vez que encontro um time daqui vendendo ingressos pela internet. É caro para os nossos padrões no Brasil (e pela qualidade do futebol, que anda pior que o nosso): $350 (e outros 35 de taxa de conveniência), mas é uma alternativa.

Nesta semana também encontrei entradas para a Copa Argentina (que não tem o mesmo valor que a Copa do Brasil para nós), de vários times, no site da Ticketek (por azar, os três jogos já tiveram as vendas acabaram e por isso não consigo ver os preços).

Em todo caso, no River, vocês entenderão que se trata de uma “boa opção” o preço de $350 para uma partida qualquer, de meio de rodada ao entender como se vende para o turista – a única alternativa que conhecia até então.

Logo quando cheguei na cidade, vi em muitos lugares turísticos anúncios de partidas: ingresso popular, transporte até o estádio e algo como uma cerveja e pizza antes do jogo. Preço? De $500 a $700. E na final da Libertadores do ano passado, Boca x Corinthians começou com $800 e terminou a mais de $1000 (eu sei porque um amigo ia e a agência foi subindo o preço). Não sei como as agências conseguem estes ingressos, mas imagino que devam comprar dos próprios sócios, que fazem uma grana mesmo sem ir ao estádio.

Não vou indicar nenhuma agência simplesmente porque não conheço nenhuma e nunca topei pagar tanto dinheiro para um jogo de futebol – às duas vezes que fui ao estádio aqui, foi para ver o amistoso de Brasil x Argentina e uma partida das eliminatórias, entre Argentina x Bolivia. Nestes dois casos, comprei os ingressos pelo site da Ticketek – você pode comprar com cartão do Brasil e retirar aqui (mas o dono do cartão é quem deve retirar os ingressos, em posse do cartão usado e documento. Eles realmente fazem essa conferência).

Quatro opções confiáveis de hostels em Buenos Aires

Update: os preços dos post foram atualizados em março de 2013. E se hostel não é a sua onda, você também pode buscar por hoteis em Buenos Aires ;)

Uma pergunta que todos os amigos turistas fazem quando estão planejando uma viagem para a capital da Argentina: “em que hostel eu fico?”. Essa questão tem uma resposta complicada, já que muito pouco me hospedei neles. Em todo caso, tenho quatro indicações bem argumentadas abaixo. Todas elas ficam próximas do centro da cidade, então sempre leve em conta os prós, contras e o que deseja para sua viagem. Se tiver sugestões e contra-indicações, por favor, comente para ajudar outros turistas!

Ostinatto
Fica em San Telmo. Não é meu bairro preferido, mas tem muita para coisa para qualquer turista e a cara “clássica” de Buenos Aires. Em minha primeira visita na cidade, em 2010, e quando me mudei para cá, em 2011, me hospedei por alguns dias no Ostinatto (a partir de R$34 por noite).

Ostinatto Hostel San Telmo Buenos Aires Argentina

O lugar é bonito, limpo e não tem essa cara de “caindo aos pedaços” de muitos hostels em prédios antigos na região. Os recepcionistas são bacanas e o terraço é lindo, especialmente no verão. Fiquei no quarto privado e no compartilhado e achei que, como dizem por aqui, falta (buena) onda, talvez por ele ser grande e isso faz com que as pessoas não se misturem tanto. De todos os modos, se você procura um lugar seguro e confortável, indico. Ah, pode ser um acaso, mas não dei de cara com nenhum brasileiros além dos que estavam comigo, o que é ótimo para quem deseja o choque de sair do país. Perto dele, eu sempre vou beber e comer no Breogan Pub.

Che Lagarto
No meu primeiro emprego em Buenos Aires eu trabalhava no marketing de uma escola de espanhol e uma vez por semana precisava sair do escritório para deixar flyers em determinados hostels. O que melhor me recebia bem todas as semanas era o Che Lagarto (a partir de R$37 a noite). Partindo do principio que eu nem era cliente e eles tinham buena onda comigo (além dos hospedes), eu confiaria na rede caso precisasse.

Che Lagarto Hostel Buenos Aires

Nunca fiquei hospedado lá, mas caminhando pelo hostel da pra ver que o ambiente é limpo e animado. O bar fica colado na recepção e cada dia sugerem drinks e comidas diferentes. Se trata de uma rede de hostels na América do Sul, o que de certa forma oferece uma segurança a mais. Além disso, aceita cartão de crédito, coisa não tão comum em Hostels e muitos outros lugares em Buenos Aires. Também fica em San Telmo.

Suites Florida
Fica no coração comercial da cidade, a Calle Florida. Muitos amigos já se hospedaram no Suites Florida (a partir de R$27 por noite) e nunca ouvi reclamações. Também é um prédio novo, tem recepcionistas educados, controle na entrada de hospedes e um puff de espera. Tem a Fusion, um bar-balada praticamente na mesma porta, o que garante umas biritas até para quem estiver com muita preguiça de sair ou perdido na viagem.

Hostel Suites Florida Microcentro Buenos Aires

O ambiente chega a ter cara de hotel e por isso não é um lugar para “conhecer gente”, como acontece muito em hostels pequenos. Ah, e sempre que passo pela frente ou estou esperando amigos escuto MUITO português, ou seja, o lugar já é manjado dos brasileiros (que chegam cheio de sacolas de compras!). A Florida é uma peatonal (rua de pedestres) e esta sempre lotada até o começo da noite, lá pelas 20h. Depois, é preciso ficar de olho aberto e fazer só o caminho para as avenidas (ele fica próximo da Corrientes e da Cordoba) para evitar qualquer incoveniente. Está no microcentro (ou San Nicolas, que é o nome oficial), perto do metrô, do Obelisco, da Casa Rosada e de Puerto Madero.

Milhouse Avenue
Fecho a lista com outro hostel no microcentro. O Milhouse da Avenida de Mayo tem fama de ser bombado, especialmente no verão (alta temporada) – não hospedes também podem aproveitar as festas e você provavelmente ouvirá muito português por lá – até a Independencia do Brasil foi motivo de uma “celebração” de três dias (você quis dizer “desculpa para tomar caipirinha”)! Logo, é um lugar pra gente que vem para Baires fazer festa até não poder mais. Custa a partir de US$17 a diária.

Milhouse Hostel Buenos Aires Argentina

 

Update: se você prefere o conforto de um hotel, também temos algumas sugestões. Você pode buscar por hoteis em promoção no Decolar.com e selecionar por área da cidade, preço, popularidade e avaliação (feita pelos clientes).

O caos para comprar e as vantagens em chegar com moeda estrangeira na Argentina

Uma pergunta que muitos fazem ao blog antes de visitar a Argentina: levo reais, dólares ou compro pesos no Brasil? A resposta, cada vez mais, são as duas primeiras opções.

Em julho, o Real chegou a cair para $1,90 peso; Hoje está em $2,60

Em julho, o Real chegou a cair para $1,90 peso; Hoje está em $2,60

Já faz muito tempo (creio que nos anos 90, mas não sei precisar) que a economia Argentina é dolarizada, o que significa que as pessoas estão acostumadas em lidar com dólares – muita gente tem duas contas no banco e negociava apartamento na moeda americana (este segundo item foi proibido).

Porém, desde o final de 2010, o governo da Cristina Kirchner tem tomado medidas para evitar a saída desse dinheiro do país. Essas medidas têm uma lógica do ponto de vista econômico, já que é uma maneira de evitar que as riquezas geradas no país sejam gastas fora dele (entre outras razões). Eu entendo o porquê, mas não concordo com o processo, já que ele poderia ser feito de um modo diferente. Entre estas medidas está a proibição em negociar imóveis em dólares e o forte controle para comprar moeda estrangeira.

Este segundo ponto é que mais afeta o dia a dia de quem viaja para fora do país (como eu, que de tempos em tempos vou ao Brasil). Para conseguir reais legalmente, eu preciso fazer um cadastro na AFIP (Administración Federal de Ingressos Publicos), provar que vou viajar e comprovar renda – para assim, decidirem se eu posso ou não fazer a troca. Muita gente recebe um “não” e assim tem dois caminhos para salvar a viagem: comprar tudo no cartão de crédito (com um acréscimo de 15% em cada compra) ou partir para o mercado informal/pararelo/negro/blue (escolha o nome que preferir!).

Eis o ponto onde o turista se da bem: com reais ou dólares em Buenos Aires, seu dinheiro vale muito mais. No microcentro, por exemplo, você vai escutar muita gente gritando “cambio, cambio”. São estes os vendedores e compradores de moeda estrangeira. O cambio oficial já anda mais favorável que há alguns meses (R$1, tá valendo cerca de $2.60 e US$1, vale $5 pesos argentinos) e no mercado paralelo, esses valores sobem para $3 e $7, mais ou menos.

Ou seja, se você estiver disposto a vender seu dinheiro no mercado informal, pode ganhar muito por aqui. Claro, este é um mercado desprotegido e existe o risco de moeda falsa sempre – embora nos vários casos nos quais amigos fizeram esse tipo de cambio, mesmo sendo turistas, não tiveram problemas. Alguns restaurantes, desde que vivo aqui, oferecem uma cotação acima da oficial para quem paga em dólares, reais e euros, estão recebendo o dinheiro estrangeiro por ainda mais.

Cartaz na porta de um restaurante avisando a cotação deles para cada moeda. Os valores já subiram para USD7 e R$3.50

Cartaz na porta de um restaurante na Avenida Córdoba anunciado a cotação “interna” para cada moeda. Os valores atuais são USD7 e R$3.50

Apesar de ser uma situação complicada, ela é vantajosa para quem vem de visita ou tem uma fonte de renda externa. Conheço gente que vive aqui, mas com negócios fora – tem gente que coloca um apartamento para alugar no Brasil e quando vai para lá, pega o dinheiro e entra aqui com um Reais, ganhando um extra. Outros só estudam aqui e entram com o dinheiro no bolso, trocando a medida que necessitam de pesos argentinos.

Coisas estranhas da Argentina #3: en las calles

Es viernes, loco!

Este é só um compilado de coisas que andei vendo pelas ruas nos últimos tempos. Não é nada de muuuuito estranho, mas são coisas diferentes do Brasil e que, pelo bem ou pelo mal, me chamaram a atenção enquanto andava pelas ruas. E acho essas “besteiras” algumas das coisas bacanas de visitar ou viver em outro país, então compartinho com vocês. As legendas explicam cada foto.

No barrio chino, ou em qualquer outro bairro, esse cara nunca mais vai parar em lugar proibido!

No barrio chino, ou em qualquer outro bairro, esse cara nunca mais vai parar em lugar proibido!

Essa é de dar medo. Ok, foi antes do mega protesto de novembro no Obelisco e mostrou que não há força para um terceiro mandato dela. Uf!

Essa é de dar medo. Ok, foi antes do mega protesto de novembro no Obelisco e mostrou que não há força para um terceiro mandato dela. Uf!

Helicopteros no atacado!? Uau, quero 10! Nah... São só fontes para computador.

Helicopteros no atacado!? Uau, quero 10! Mas espera, na loja de informática? Nah, são só helicopteros de controle remoto. Cancela a compra.

A moeda estrangeira está super valorizada por aqui. O valor oficial roda em $2,30, mas essa pizzaria aceita por $3!

A moeda estrangeira está super valorizada por aqui. O valor oficial roda em $2,30, mas essa pizzaria no microcentro aceita por $3!

TV quebrada rua recoleta buenos aires

E essa TV perdida na calçada, na Recoleta? Medo de saber como ela ficou assim.

 

Se você gostou, deixa um comentário ai embaixo! ;)

Inflação na Argentina: triste como o tango

Eu sou um fanático de supermercados. Se deixar, fico uma hora passeando, vendo preços, ingredientes, comidas importadas, comidas desconhecidas, decidindo o que posso criar e tal. Só que em Buenos Aires este meu prazer está cada vez mais complicado.

Quando começou 2012 eu ganhava um salário pequenino trabalhando aos finais de semana e só conseguia pagar as contas com a ajuda que vinha do Brasil. Como economizar era uma questão essencial, minhas longas visitas ao supermercado passaram a ser (também) para descobrir o que estava mais barato. Ou seja, passei muito tempo olhando preços.

Publicidade supermercado vea buenos aires

No me puedo mover, Vea. Pero es porque todo esta muy caro.

Em todo este período eu tenho como base o mesmo supermercado (um Disco que agora virou Vea, na Cordoba x Lavalle). A base dos meus preços vem dele, porém já cheguei a comprar determinadas coisas em outro supermercado pela diferença de preços. Só que de uns meses para agora, em 2013, estou sem escapatória: se os temas do tango estão tradicionalmente relacionados à tristeza, já podem compor um tango sobre ir ao supermercado, porque é assim que me sinto toda vez que passo por um.

Já ouvi que a inflação parece maior do que é, já que é a desculpa perfeita para qualquer aumento de preços. E vá lá, se o governo mente na cara dura sobre a inflação real, outros também pode estar se aproveitando disso como desculpa. Não acuso, mas não duvido. E sei que no Brasil seria igualzinho.

Abaixo um comparativo de preços que tenho de cabeça entre janeiro de 2012 e até agora. O primeiro preço é do começo do ano passado e os outros dois são as variações que encontro hoje (dependendo do supermercado, da promoção e da sorte):

  • Peito de frango: antes $30, hoje entre $42 e $50 o kg;
  • Queijo mussarela: antes $42, hoje entre $50 até $70 o kg;
  • Queijo gouda La Sereníssima: antes $60, hoje $85 o kg;
  • Ravióli recheado La Salteña antes $18, hoje $22 cada 500g;
  • Leite desnatado La Sereníssima (tetrapak): antes $5, hoje de $7 a $8;
  • Queijo Philadelphia: antes $18, hoje, $26;
  • Cerveja Patagônia: antes $17, hoje $21;
  • Nutella: não lembro antes, porém hoje custa $21 a embalagem de 200g.

Estes são preços que tenho de cabeça, mas em toda nova visita ao supermercado algumas coisas sobem 1, 2 pesitos más. Nunca havia sentido no meu dia a dia a tal da inflação até chegar aqui. Es cierto que em alguns casos estou falando de produtos de marcas bacanas, mas que são equivalentes aos produtos que compraria no Brasil. Você pode encontrar preços melhores, naturalmente, mas estou analisando a minha realidade, um cara de 26 anos que mora com amigos, faz as compras na hora que dá, mas não está na zona nobre da cidade.

Na verdade, fico até surpreso quando vou ao Brasil e vejo que com R$1 posso comprar alguma coisa no supermercado. Com centavos eu compro alguma coisa. Um miojo, um refrigerante em lata, que seja – mas o dinheiro tem um poder de compra maior. Tudo parece mais barato mesmo levando em conta o cambio oficial, onde R$1 são $2,30 – ou seja, calcule o preço em Reais como um pouco menos que a metade dos apresentados acima e você vai entender.

A solução? Sigo indo no supermercado nos dias que tenho desconto, vou trocando os produtos por outros, em embalagens ou marcas mais em conta. Se está muito caro, não compro mesmo. E torcendo para que o “teto” dos preços esteja próximo.

Para deixar claro: em geral, os salários sobem anualmente, como em qualquer lugar. Em outras empresas, a cada seis meses. Porém viver recuperando o poder de compra de tempos em tempos esta longe de ser uma situação confortável.

As sacolas plásticas nos supermercados de Buenos Aires

sacolas plasticas buenos aires

Mais além do quanto as sacolas plásticas de fato prejudicam o meio ambiente (e qual é o impacto real delas no sistema inteiro de plástico que o mundo fabrica), Buenos Aires deu um pau em São Paulo neste quesito.

Enquanto no Brasil toda hora eu leio sobre as proibição e liberação de sacolas, decisão de juiz, venda de ecobags e caixas de papelão, aqui a regra é simples, direta e barata: sacolas plásticas biodegradáveis por $0,15 e $0,25. As verdes, para separar o material reciclável e as pretas para não recicláveis. E são sacolas mais fortes, encho sem medo de rasgar.

A lei entrou em vigou em outubro e em duas semanas já se anunciou uma redução de 50% no uso das sacolas. O objetivo, claro, não é aumentar a conta, mas diminuir o uso. Se você não quer gastar mais dinheiro e contribuir com o meio ambiente, leva tudo na mochila, na bolsa, na ecobag, na mão. O Walmart, inclusive, teve uma ideia genial: caixas específicos para quem não comprar sacolas. Se a lei funcionar o caixa especial vai durar pouco, mas é um incentivo interessante.

Claro, a coisa não funciona totalmente como deveria: a lei supostamente vale para diversos tipos de comércios, como lojas de roupa, livrarias, locadoras, cafeterias, etc. Mas só vi de verdade nos supermercados – menos mal, que é onde se usa mais sacolas. Talvez tenham mudado as regras e dado mais tempo para estes lugares se adaptarem a lei, que foi aprovada em maio e eu não esteja por dentro. Ah, e ela é somente da cidade de Buenos Aires, ou seja, mais simples de implementar.

Muita gente, naturalmente, vai reclamar que nós, consumidores, é quem estamos pagando a conta. Mas R$0,07 e R$0,11 não são nada se você pensar nos beneficios da ação. A meta é reduzir o uso em 55%, ou seja, menos 580 milhões de sacolinhas por ano. E as que ficam são melhores para gente e pro meio ambiente.

Ps: agora só faltam os supermercados pararem de subir os preços todas as semanas. Logo vem aqui um post sobre os absurdos dos preços por aqui