Um videoclipe sobre os sonhos de se “viver de música”, por The Salad Maker

Conheci o The Salad Maker há alguns anos, logo quando a banda deixou Londres e voltou para São Paulo. Vi o clipe para a versão acústica de Bigger Than This e depois, por acaso, um dia assisti a banda em uma noite de semana no Studio SP, com amigos do próprio Portal MTV. Mas foi com Between Dreams, lançado nesta terça (13) que banda me chamou mesmo a atenção.

Em ambos os contatos anteriores, achei o som deles interessante, mas nunca havia dado uma atenção especial. Até que há alguns dias recebi o novo clipe e dessa vez o The Salad Maker me deixou interessado ao ponto de valer um post no Diário de Palco.

O vídeo foi feito com apenas um plano: por cima. O personagem é o vocalista do grupo, Renato Vanzella, e a ideia foi que a visão de um anjo sobre ele e sua vida dividida entre a rotina de trabalhar e a busca pelo sonho de viver de música. Dezenas de cenários retratam um dia cotidiano, sempre filmados por cima. “Para qualquer pessoa que não desiste de seus sonhos, o bem, o desejo e a música prevalecem, por isso a representação do anjo em todo decorrer do clipe”, explica o baixista do grupo, Thiago Romano.

A produção do material foi dirigida pelo duo João Unzer e Rodrigo de Castro, publicitários e artista, que atualmente trabalham na famosa agencia de publicidade DDB, em Nova York.
A produção do material foi dirigida pelo duo João Unzer e Rodrigo de Castro, publicitários e artista, que trabalham na famosa agencia de publicidade DDB, em Nova York.

Between Dreams foi gravado parte em São Paulo e parte em São Bernardo do Campo, cidade natal da banda. “Alguns lugares, como a pizzaria e a festa, foram cedidos por grandes amigos para colaborar no ajuste do orçamento. Além de experimentos, tivemos muito trabalho com a construção das cenas e dinamismo de todo o clipe”, completa o baixista. A montagem ficou por conta do Coleta1994 que já fez trabalhos com outras bandas do underground nacional, como o finado Reffer e o Dead Fish, além de já ter participado de outras criações do The Salad Maker.

Assista abaixo o clipe de Between Dreams e confira a letra no final do post:

Between Dreams, por The Salad Maker

It’s gonna be another day, another long shift
Fourteen hours of work keeps my dreams away
It reminds me about the beginning of the century

The same job, the same sentences,
the same uniform, the same places
The same people, the same new people,
the same old people, the same new old

People make it all the same
And on and on and on…
At the end of this day, the same things

Some drinks a wife beaters, the same things
Some smokes spliffs, the same
Someone on the white wine

This life is killing me
Feeling sad, feeling far away
Getting mad and lots of things to make
No control just emotionless

Cause I remember the good times I used to have
It’s been a hard knock life
There’s a big angel and three little devils looking over my back
It’s been a hard knock life

And the only thing I know
I’ve got problems, I’ve got troubles, I’m so fucked up so
All I wanna do is run away to a park and grab a seat just to cry

Than take the 25 bus at the crack of dawn to east London
Drunks and pick pockets, listening to all languages
Another wasted day not to follow my dreams
But if one day I almost get there.
Would you listen to me?
Would you allow a foreigner to share your space?
Even if I’d be good enough for you

It’s been a hard knock life
(It’s been a hard knock)
It’s been a hard knock life
(It’s been a hard knock)
There’s a big angel and three little
devils looking over my back
It’s been a hard knock life

Assista e conheça a história por trás do curta-metragem Respira Até o Fim, do Madame Saatan

Lançado em agosto do ano passado, Respira foi a primeira amostra de Peixe Homem, segundo álbum do Madame Saatan. Nesta terça-feira (6) a banda completou a saga com Até o Fim, transformando as duas produções em um curta-metragem.

Porém, antes de falar do filme, preciso fazer um pequeno comentário: Peixe Homem é um puta disco. Sabe quando você é pego na primeira música, ouve incessantemente um CD e, de tanto ouvir, a cada hora descobre uma coisa nova? É como eu me senti ao ouvir Peixe Homem mais de dez vezes em dois dias.

Nesta semana, provávelmente eu vá retomar o vício: acabei de assistir o curta Respira Até o Fim, comandado pelo renomado diretor P.R. Brown e gravado no Parque dos Igarapés, nas ruas da Cidade Velha e nas Ruinias do Murucutu (uma antiga igreja abandonada no meio da mata), em Belém.

Com nove minutos, o vídeo resume a história do peixe homem. “Somos nós mesmos, que mudamos do nosso habitat natural em meio a Amazonia pra uma cidade grande, de concreto – mas que precisamos reoxigenar sempre. Respira apresenta de onde viemos Até o Fim mostra a adaptação ao novo. Tudo é um eterno ciclo.”, explica Bernie Walbenny, produtor da banda e do vídeo. Desde 2008 eles vivem em São Paulo.

Produção
“Levamos um monte de “não” e ignorada na cara de diretores daqui, então decidi que eu mesmo ia fazer. Peguei muitas referencias do P. R. Brown, mas antes de começar, decidi entrar em contato para ver se ele topava. Ele pediu para ver o roteiro, as músicas e fomos afinando, até que ele aceitou”, relembra. O diretor já comandou clipes de bandas como Slipknot, Mötley Crüe, Marilyn Manson, My Chemical Romance, Avenged Sevenfold e muitas outras.

Banda levou caminhão do corpo de bombeiros para simular chuva no vídeo

Os dois clipes foram gravados em três dias, em maio do ano passado. “Uma das coisas que aprendi com eles: são muito disciplinados e trabalham com um profissionalismo impressionante. Não tem essa de ficar enrolando porque foi uma parceria. Ele já ia filmando e montando, tava tudo na cabeça”, explica. Uma semana após as filmagens, a banda recebeu o vídeo de Respira e 20 dias depois a continuação, com a música Até o Fim.

Curiosidades

-A banda precisou desviar o transito para simular uma área deserta nas ruas do Bairro Cidade Velha;

– Um carro do corpo de bombeiros foi até o local para “fazer chover” no set;

– As imagens foram gravadas em mais dois lugares: no Parque dos Igarapés (o rio) e nas Ruinas do Murucutu (uma igreja do século XVIII construída por Landi e destruida na Cabanagem, que atualmente está abandonada no meio da mata);

– Mais de 20 pessoas participaram da produção do vídeo, que teve apoio equipamentos e equipe da da TV Norte;

– A bateria foi queimada de verdade em em Respira. É uma Pinguim da década de 70 e foi “sacrificada” pelo baterista Ivan;

O baterista Ivan colocou fogo e "sacrificou" uma bateria antiga durante as gravações
Mais de 20 pessoas participaram da produção dos vídeos no Parque dos Igarapés

– Para economizar e viabilizar o projeto, o diretor P. R. Brown emitiu as passagens com suas próprias milhas de voo. Por acaso, o diretor de fotografoa, Jaron Presant, estava de férias no Brasil na mesma data;

– Após as gravações em Belém, P.R Brown e o Madame Saatan foram juntos ao show do Motley Crue, em São Paulo e a banda conheceu o vocalista Vince Neil durante a turnê.

Ouça ao vivo o show do Morrissey em Buenos Aires

Frequentemente eu falo alguma coisa sobre a Rock & Pop, uma rádio argentina, no Twitter. Além de uma puta programação boa [onde o “pop” é mais tema de assuntos do que como gênero musical], eles costumam transmitir shows ao vivo. Neste domingo (3) é a vez do Morrissey.

Por algumas vezes eu ouvi canções do Pearl Jam em La Plata – eles colocaram na programação e fizeram um especial com as músicas do último show deles aqui, em novembro de 2011, na mesma turnê que foi para o Brasil. No meu programa preferido da rádio, o Gente Sexy [entre 16h e 18h, de seguda a sexta], na semana passada eles conversaram sobre Wilco, uma das minhas bandas preferidas. A mescla de gêneros é muito boa. Eles têm até um programa dedicado exclusivamente ao metal argentino, nacionalistas que são.

Eu sempre escuto a rádio quando estou pela rua e amigos fizeram o teste do Brasil: dá para escutar toda a programação online. Então, para quem quiser ouvir o ex-lider dos Smiths antes dos shows no Brasil: acesse o site da rádio neste domingo (3), às 21h [horário de Brasilia], e curta o Morrissey antes dos shows no Brasil, que começam dia 7, em Belo Horizonte. Faça o teste antes, eu precisei instalar o plugin do Windows Media Player no Firefox [o próprio navegador te da o caminho].

Outro tema interessante da passagem do Morrissey pela Argentina foi o anuncio feito por ele em Cordoba, onde fez um show na quinta-feira (1°). O cantor, que é britânico, declarou no show: “todo mundo sabe que as Ilhas Malvinas pertencem à Argentina”.

Explico: há alguns meses voltou a ser notícia a disputa da Argentina pelas Ilhas Malvinas, que atualmente são um território do Reino Unido. Morrissey inclusive falou “Malvinas Islands” e não “Falklands Islands”, que é o nome dado pelos britânicos. Este ano se completa 30 anos da guerra na ilha e a discussão em torno dos direitos do território é grande.

Se foi uma tática para ganhar moral com a plateia eu não sei, mas mostra mais uma vez o poder da música – Roger Waters, que começa uma turnê com nove shows em Buenos Aires na próxima semana, também defendeu a Argentina na disputa pelas Malvinas, em uma entrevista para um canal de TV no Chile.

Para deixar o post ainda mais argentino, deixo abaixo uma versão de Reel Around Fountain, dos Smiths, feita pelo Fun People.

Chuva Negra – Sempre Verão

Após o ótimo Terapia, lançado no meio de 2010, o Chuva Negra apresenta três novas músicas no EP virtual Sempre Verão. Após um ano e meio de apresentações em diversos estados do país, a banda já deixa de lado o status de “banda nova”, sendo apontada como uma das revelações da cena hardcore de 2011.

O disco abre com 1 a 1 e uma divertida batida eletrônica de algum jogo de vídeo-game [da era dos 8 ou 16 bits] serve de introdução para a música. Assim como foi com o Fullheart, antiga banda do vocalista Chinho, as frases marcantes estão presentes e uma provável está nesta música: “devo ter algum problema na cabeça. Por favor, doutor: me prescreva alguma coisa para eu não surtar” pode ser aquele trecho cantado em coro pelos fãs, que irão disputar um espaço próximo ao microfone nos shows.

Última Sessão é um “tapinha” de música, se é que eu entendi e que você me entende. É a menos interessante das três. O disco fecha com a também curtinha Eu Odeia Eu. A música tem um riff interessante e trata sobre alguma confusa relação eu-e-você. O “extra” do final também chama mais a atenção: a mesma canção de bits da abertura do disco volta ao final, mas com as vozes dos integrantes da banda conversando no que parecem ser conversas captadas por acaso no estúdio.

Sempre Verão é uma boa amostra do paulistaníssimo hardcore do Chuva Negra, mas não superam as músicas do álbum anterior – até porque, embora sejam distintas entre si, a sensação é de que as canções poderiam fazer parte do mesmo disco.

Zander, Fire Driven, Bullet Bane e Plastic Fire se unem em álbum de inéditas e covers

Se você acompanha a cena hardcore de 2010 para cá, provavelmente ouviu falar de alguns destes nomes: Zander, Fire Driven, Bullet Bate e Plastic Fire. Estas quatro bandas se juntaram no split Chumbo, lançado na internet nesta segunda-feira (13) e com uma turnê preparada para os quatro primeiros dia de março.

“Primeiro eu fiz uma brincadeira falando que deveríamos lançar um split chamado “Plastic Fire Driven” em vinil de 7 polegadas”, explica Cesar Carpanez, guitarrista do Fire Driven, unindo o nome de duas das bandas. A ideia não vingou, mas meses depois, mais um grupo se agregou na ideia. “Fiquei com vontade de chamar o Zander pra fazer um split também e por conta do destino, o Bil apareceu no Facebook uma noite uma hora ele me escreve: “”bicho, o que você acha de a gente fazer um split?” Eu cai pra trás porque eu ia fazer a mesma pergunta pra ele!”, relembra.

O Bullet Bane foi o quarto elemento a se agregar no split. Gabriel, vocalista do Zander, já havia gravado o mais recente álbum do Plastic Fire [A Última Cidade Livre] e mixado o EP do Fire Driven [Growing Past These Lines]. Daniel Avelar, guitarrista do Plastic Fire, também esteve na produção do primeiro show do Bullet Bane no Rio de Janeiro – ou seja, todas as bandas já se conheciam. “O que nos uniu mesmo foi a amizade e o desejo de fazer acontecer com as próprias mãos”, explica o próprio Daniel.

Ao todo são 12 músicas: cada banda gravou duas inéditas e uma versão surpresa. As paulistas Fire Driven e Bullet Bane, gravaram em São Paulo; E as cariocas Plastic Fire e Zander gravaram no Rio, no estúdio Superfuzz. As sessões aconteceram entre setembro e dezembro, quando chegaram ao estúdio carioca para a mixagem e masterização, feita pelo próprio Gabriel Zander, dono do estúdio e vocalista da banda de mesmo nome.

Split Chumbo by tenhomaisdiscosqueamigos. O disco completo em streaming e download está disponível aqui.

Do it yourself
Esquecido há anos pela bandas independentes, o formato “split”, que reune um grupo de bandas no mesmo disco, costumeiramente traz junto a curiosidade por trás das versões. Neste caso, cada banda criou uma nova versão para uma música de outro artista do álbum. “É algo que praticamente não existe, exceto raríssimas exceções. Acho que esse split prova que não existe ninguém melhor que as próprias bandas pra tomar conta das suas próprias composições, artes de capa, forma de divulgação e shows”, analisa Cesar Carpanez. “Depois que o “querido” Rick Bonadio chupou tudo que pode da cena independente e cuspiu o caroço, o cenário nacional só piorou”, dispara.

As bandas sairão em turne entre os dias 1 e 4 de março, tocando no Rio, São Paulo, Santos e Curitiba, respectivamente. “Falando em show, quem deve organizar é a gente mesmo e ponto! ‘A gente’ que eu diga é quem está envolvido de fato. O velho papo de não deixar que ninguém faça por você, do it youserlf, essas coisas básicas que infelizmente nem todo mundo consegue entender”, decreta Daniel, do Plastic Fire.

Por quê ouvir? – Fire Driven
Escalamos os próprios musicos para argumentar um motivo para se escutar a banda da qual eles fizeram versões. A versão surpresa que o Zander fez do Fire Driven é da faixa Procrastination.

As músicas do primeiro EP do Fire Driven já haviam sido masterizadas e mixadas no estúdio Superfuzz, por Gabriel Zander, uma das cabeças do split

“Acho que as pessoas que gostam do Zander deveriam escutar Fire Driven porque eles indiretamente são uma grande influência pra gente. A pegada, os timbres e o som que eles fazem é exatamente o som que a gente sempre ouviu desde antes de montar o Zander. Bandas dos anos 90 como Seaweed [já fizemos cover deles inclusive], Screaming Trees, Nirvana, Farside, Samiam [também já fizemos covers], Helmet [fizemos cover na época do Noção de Nada], Sense Field, Shades Apart e outras. Se você não conhece nenhuma dessas bandas, basta escutar o Fire Driven para começar que já vai entender bastante de onde eles vem e consequentemente da onde a gente veio também”

Quanto a música a gente gosta de todas do CD deles, então ficamos pensando qual tocar. O Sanfoneiro simplesmente foi o primeiro a dizer: “po, a gente podia tocar aquela Procrastination, me amarro muito nessa” e a gente “claro, vamos mandar essa brasa!” e simplesmente foi isso.

Por quê ouvir? – Bullet Bane
Daniel Avelar, do Plastic Fire, também deu argumentos para quem não conhece o Bullet Bane [que já se chamou Take Of The Healter e abriu uma série de shows gringos no Brasil].

Promessa do cenário hardcore, o Bullet Bane já abriu shows internacionais como No Fun At All, NOFX, A Wilhelm Scream e Millencolin, além de um disco lançado no Japão

“É umas das bandas mais legais da atualidade e uma das mais promissoras também. Lançaram seu 1º disco no final do ano passado que por sinal, ainda não saiu do meu mp3. Temos diversas influências em comum, o que facilita a afinidade entre as bandas e torna um prazer fazermos parte dessa nova geração que está vindo com tudo e sem pedir licença, meu amigo.

Sou amigos dos caras e acompanho o trabalho deles desdo comecinho. Um fato engraçado é que antes do Take Off The Halter ser criado, eu já conhecia o Victor [vocalista], e através de uma conversa no MSN passei para ele algumas coisas que eu estava escutando na época, como o Belvedere [banda de hardcore melódico canadense] que se tornou uma grande influência deles.

Escutamos todos juntos as músicas deles e a decisão sobre a versão foi bem rápida e unânime. Seconds é a segunda música do EP lançando em 09 e a mais ”lenta” também. Aceleramos um pouco e mudamos algumas coisa para deixa-la com a nossa cara. O legal é que rolou um pequeno ‘pout-pourri’ na parada! De introdução, usamos um pedaço de The Parable Of Paul Tadpole e no final da música usamos o começo de We Took Off.

Por quê ouvir? – Zander
Quem regravou o Zander para o split Chumbo foi o Fire Driven. Veja abaixo bons motivos para ouvir a banda carioca e como foi decidida a regravacao de Todos os Dias.

Gabriel (primeiro a esquerda) teve a ideia de unir as bandas no mesmo álbum

Eu acho que as pessoas deveriam escutar o Zander primeiro porque eles são uma banda que realmente batalha por aquilo que acredita e fazem isso sem abrir as pernas ou abrir concessões. Eles tem o espírito da década de 90, onde as pessoas envolvidas com bandas, selos, zines e shows, faziam o que gostavam e primeiramente por amor e não por fama ou dinheiro. O que vem em primeiro lugar é sempre a paixão pela música no caso de uma banda como eles e isso hoje em dia meu amigo, está em falta, quase extinto neste cenário nacional e até mesmo internacional.

Sobre a opção de regravar a Todos os Dias a escolha final acabou ficando por conta do Zeek porque ele já tinha a idéia de traduzir a letra para o inglês e com essa música ficou mais fácil de encaixar. Meu voto inicial foi para a “Motim” e a Piti havia escolhido uma faixa de um lançamento anterior deles, mas acabamos acatando a decisão do Zeek pois ele disse que seria mais tranquilo e legal regravar essa. Na parte musical nós tentamos deixar ela um pouco mais pesada e talvez um pouco mais “hardcore”.

Por quê ouvir? – Plastic Fire
Para terminar, o guitarrista do Bullet Bane, Fernando Uehara, contou sobre a versão em inglês que a banda fez da musica A Ultima Cidade Livre e sobre a relação da sua banda com o Plastic Fire.

A primeira ideia do que se transformou no split Chumbo foi um vinil com as bandas Fire Driven e Plastic Fire (foto)

Quem curte o Bullet Bane vai curtir o som deles, porque as nossas influências são muito próximas, com linhas de guitarras muito bem trabalhadas, vozes agressivas e a batera e o baixo ali metendo bronca. São músicas pesadas, com muita técnica e com conteúdo.

A versão que nós fizemos do PF foi da música ” A Ultima Cidade Livre”/ “The Last Free City”, que leva o nome do CD deles. A escolha dela foi unânime logo de cara, porque ela tem uma levada um pouco mais cadenciada com uma puta linha de voz, logo imaginamos como seria uma versão mais rápida e com vocal em inglês dessa musica.

Há partes que nós utilizamos alguns efeitos como o delay e o phase, para que aquela parte fosse uma vibe totalmente diferente da original, tentando mostrar o lado oposto, da música original. Tivemos que fazer algumas modificações na letra, pois a tradução literal de algumas expressões não faziam sentido e algumas não soavam tão bem no inglês.

 

Grandes Cliques: uma imagem genial de Gee Rocha, do Nx Zero, registrada por Cesar Ovalle

Há muito sou fã das fotos do Cesinha. Ele também escreve bem e, de vez em quando, dava uma passada pelo blog dele e acabava lendo vários posts em uma tacada só [está parado há algum tempo, mas vale a visita!]. Espero que você concorde comigo quando ver a imagem abaixo, clicada exatamente no dia 22 de fevereiro do ano passado e saiba a história por trás dela.

Gee Rocha, guitarrista do Nx Zero, durante show em Ribeirão Preto. Foto por Cesar Ovalle

Na real foi difícil escolher uma foto ou uma história, então resolvi pegar uma foto que eu já havia publicado, porém, que eu ainda não tinha contado como a fiz.

Essa foto eu fiz em um show de uma rádio de Ribeirão Preto, onde o Nx Zero tocou em fevereiro de 2011. O local era bem pequeno, não tinha como atravessar o palco, não havia corredor de segurança “habitável”, ou seja, tive que ficar o tempo inteiro do lado direito do palco [esquerdo para quem assistia], escondido atrás do side. Passei o show inteiro por ali, e isso significa que muita coisa diferente eu não poderia fazer. Então comecei a procurar assunto, a insistir mais no olhar do que em qualquer outra coisa, e foi assim que essa foto saiu.

Quando percebi que o Gee estava suando muito, vi que haviam algumas gotas escorrendo… foi aí que me preparei pra registrar o momento e não poderia errar. Sabe-se lá quando é que outra gota iria cair e sabe-se lá se eu iria conseguir enxergar isso. Então quando vi que ele abaixou a cabeça, fiquei só esperando a gota descer.

A foto tinha tudo pra dar errado, já que ele poderia se mexer bem na hora, poderia passar a mão pra tirar a gota, enfim, ou até mesmo eu poderia errar o clique na hora certa, mas, por sorte de tudo isso, ela foi feita e está aí!

“Cheguei a quase ter medo de escrever da maneira que sempre escrevi”, analisa Lucas, sobre o polêmico EP da Fresno

Fiquei surpreso e feliz quando ouvi Cemitério das Boas Intenções pela primeira vez. Não imaginava que a banda pudesse deixar tão cedo o apoio das gravadoras e muito menos que faria canções tão polemicas – e importantes.

Além de resenhar o disco no Diário de Palco, há alguns dias, enviei algumas perguntas para o Lucas. Algumas horas depois, as respostas chegaram. A velocidade e a intensidade com que as perguntas foram respondidas são proporcionais ao peso das novas músicas – que debatem sobre a “fé” das pessoas e coloca o ateísmo em debate.

Com vocês – muita gente que visita o Diário pela primeira vez – o que pensa Lucas Silveira sobre os novos rumos da Fresno.

Eu concordo quando você quanto a necessidade das pessoas em encontrar sua verdade própria e entendo a importância que a música tem em abrir a mente das pessoas. Você provavelmente já recebeu reações a favor e contra as músicas que falam sobre ateísmo. Como tem sido isso?
Falo isso não só religiosamente, mas como em tudo quanto é âmbito, no que tange à nossa existência. O mundo que eu não escolhi para me rodear incita e causa a loucura, a barbárie, a ‘vontade de um dia jogar tudo para o ar’, então isso faz com que a grande maioria das pessoas procure por uma verdade pronta, planejada, inquestionável e infalível. Eu vejo muita gente nessa preguiça irritante, e me senti no direito de lhes dar um chacoalhão, para pelo menos pensar a respeito um pouco.

Muita gente pegou somente a frase ‘cadê seu Deus?’ e já saiu tacando pedra. Não foram as primeiras pedradas, nem as últimas. Outros já pegaram o resto do que é dito na letra e, mesmo não concordando comigo, o que é 100% normal, tiraram alguma mensagem para si. Eu poderia ficar contando aqui a origem de cada verso, mas isso inibiria a capacidade do ouvinte de tirar sua própria conclusão. Arte não se explica, se contempla, gosta ou desgosta. Mas “um coração não se faz com a mão” é mais ou menos a síntese do que eu penso sobre o que a música emo acabou virando. Destilar amor e ódio na ponta dos dedos e escrever com o coração algo que seja capaz comover as pessoas jamais foi uma “fórmula”. Isso é o ofício de uma arte, e arte não tem moderação/revisão/aprovação superior. Pelo menos, não é pra ter.

Fresno no show de lançamento do EP, no Hangar 110. Foto por Gustavo Vara
Fresno no show de lançamento do EP, no Hangar 110. Foto por Gustavo Vara

Crocodilla, A Gente Morre Sozinho e Não Vou Mais são músicas feitas há pouco ou já estavam encubadas esperando o momento de serem reveladas ao mundo? O Rick Bonadio e pessoas da Universal chegaram a ouvi-las?
Não Vou Mais é uma música que eu e o Tavares escrevemos em conjunto para gravar numa primeira demo da Carox. Passou um tempo e eu fiz uma letra alternativa para ela, bem como a cara da Fresno 2012. Imaginei que casaria muito bem com as outras duas, bem como a regravação de Relato De Um Homem De Bom Coração.

Já cheguei ao ponto de quase ter medo de escrever da maneira que sempre escrevi, tamanha a nuvem negra de gente falando merda e apontando o dedo pra mim. Gente escrota, gente amarga que realmente se incomoda com a existência de um sorriso na cara de outro indivíduo. Foram muitos meses lidando com um sentimento interno que estava me constipando criativamente, e isso ainda estava sendo reforçado por um relacionamento que me fodia com a cabeça. 2011 foi um ano de libertação, de tudo quanto é tipo de amarra.

A Universal jamais foi um empecilho na nossa carreira, pois a nossa relação com eles, infelizmente, foi sempre bem indireta, sendo a Arsenal uma espécie de intermediário. Nossos discos já chegavam nas mãos deles pré-aprovados pela Arsenal, que era onde a briga acontecia. Lembro de ouvir lá de dentro que a música Cada Poça Dessa Rua… era horrível, chata e que deveria ser cortada dos shows. Esse tipo de tratamento com um artista que te dá uma porcentagem absurda de absolutamente tudo que ele ganha é algo que te mata de desgosto devagarinho. Por isso o repertório do EP é tão na cara, visceral e sincero. É porque não tem filtro. Sou eu e meus companheiros de banda deixando bem claro que aquilo é o que queremos fazer. E não falo de ser leve ou pesado, e sim livre.

Setlist da banda no Hangar 110, com as três novas músicas do EP
Setlist da banda no Hangar 110, com as três novas músicas do EP. Foto por Gustavo Vara

Em uma entrevista você também fala sobre buscar um equilibro entre a sua criação e a adaptação para o mercado. Como você vê o caminho da Fresno nessa corda bamba? Lançar um EP como este, com sonoridade e letras fortes foi um meio proposital de quebrar essa relação ou algo que foi se desenvolvendo e tomou esse caminho naturalmente?
Quando as opções são ‘corda bamba’ e ‘chão’, a gente aprende rapidinho a se equilibrar. Eu me emociono quando a gente consegue fazer algo que tenha profundidade e, ao mesmo tempo, aquela simplicidade que acaba dialogando com uma massa muito maior de gente. Eu fiquei assim quando, após mudar uma canção dezenas de vezes, chegamos no que futuramente seria a canção Porto Alegre. Foi assim com Eu Sei, também. Músicas que são hits pra gente e pro público que nos ouve nas rádios, mas que foram feitas daquele jeito, ninguém as deixou assim. Crocodilia e Não Vou Mais são músicas em que as guitarras estão bem altas, mas que possuem uma estrutura tão “pop” quanto a de qualquer hit de rádio. A gente só não tá fazendo um trabalho de rádio agora com esse EP porque estamos reformulando a nossa equipe, montando o próprio escritório, o que é prioridade agora. E estamos felizes pra caramba com a repercussão absurda que as músicas tiveram na Internet.

Para este ano vocês prometem um DVD que já pretendem lançar há algum tempo. Pode adiantar alguma coisa? E sobre os próximos EPs? Vem mais dois este ano?
Retomamos o projeto do DVD assim que nos desligamos da Arsenal, mas agora as reuniões começam todas de novo. Não queremos que seja simples, nem fácil de fazer. Estamos a uma altura das nossas vidas em que tudo precisa surpreender e causar um impacto tão grande no nosso público quanto o que esse EP causou, assim como foi o Revanche. Então é muita coisa que a gente tem que planejar e definir antes de sair falando como vai ser. Mas, sim, em paralelo a tudo isso, serão feitos mais dois EPs, que vão formar o nosso novo disco. Lançando as músicas aos poucos, o pública presta mais atenção em cada música.

Você crê que essa época “pop” foi fundamental para a Fresno de hoje ter cacife lançar algo mais pesado e poder se manter com força? Afinal, independente de com quem estejam, toda pessoa que “vive de banda” precisa receber pelo que faz – e no Brasil, quem faz música pesada, na maioria das vezes não tem essa condição.
Entendo que tu não usou isso de maneira pejorativa, mas esse negócio de ‘época pop’ soa meio tipo aquelas pessoas, que, para elogiarem o nosso EP, fazem questão de dizer que tudo que foi feito nos outros 12 anos de banda não presta.

A gente, nossos fãs e nossas músicas amadureceram, mas eu ainda sou capaz de me emocionar ao ouvir uma música como Velha História, que eu fiz quando tinha uns 19 anos, ou quando empunho o violão para cantar uma letra ingênua como a de Se Algum Dia Eu Não Acordar, que eu fiz no ensino médio.

O Redenção consiste na nossa fase “pop”, mas nos rendeu a faixa título, Milonga e Europa, músicas que a gente toca até hoje porque a gente as ama demais. Agora a gente tá crescentemente pesando a mão nos nossos sons, nos nossos shows, não somente porque a gente gosta disso, mas também porque o pessoal enlouquece de uma maneira muito assustadora quando a gente toca as músicas novas.

Essa energia nos deixa mais vivos, nos rejuvenesce o espírito e nos dá vontade de prosseguir. A gente tem nas mãos uma arma que é capaz de sublimar a tristeza, a minha e de todo mundo que me ouve com atenção. A gente canta a tragédia bem alto, que é pra ela ir pra bem longe de nós e nunca mais voltar.

Música underground nos terraços portenhos

Maria Fernanda Aldana tocando Apocalipsis en la terraza
Maria Fernanda Aldana tocando Apocalipsis en la terraza

Buenos Aires é cheia de construções antigas. Em muitas delas, estão escondidas terraços. Na minha primeira moradia oficial aqui em 2011 fiquei em uma casa e, da rua, olhando apenas uma porta de madeira, jamais poderia imaginar a beleza de um espaço que, mesmo em meio a vários prédios, te dá uma visão diferente da cidade.

Eis que há alguns dias descobri o En La Terraza, um projeto que vários artistas de diferentes estilos apresentam suas músicas, em versões inéditas e em diversos terraços da cidade. De dia, de noite, com chuva, com luzes especiais, com sol. Um jeito diferente de conhecer algumas paisagens que fazem parte do cotidiano portenho.

Como nós pouco consumimos música em espanhol, creio que os leitores do Diário, assim como eu, só devem conhecer um dos nomes que participou da projeto até agora: o Boom Boom Kid.

Assisti vários dos vídeos e encontrei algumas coisas estranhas demais até para mim, que ouço coisas estranhas – tem uma banda chamada Travesti, por exemplo. Mas como eu sei que tem muita gente que é mais indie do que eu, aposto que muitos leitores vão adorar artistas que eu não compreendi. Fiz abaixo uma lista de alguns dos que gostei, mas vale checar o site oficial, com todos os vídeos em HD. O projeto começou em meados do ano passado e segue com coisas novas, que foram publicadas em janeiro. Segue uma pequena amostra do que vi, ouvi e curti:


Gostei muito da paisagem escolhida para o Leo Garcia, no bairro de Barracas (ao lado de La Boca, aonde fica o estádio) Essa é uma versão de uma música do Daniel Melero. Não conhecia a original, mas a versão ficou ótima.


Wikipedia me conta que a Maria Fernanda Aldan é das antigas, vocalista e baixista do El Otro Yo, uma banda de punk rock do final dos anos 80 e que ainda tá no rolê. No começo a voz dela me pareceu um pouco irritante, mas na segunda audição já tinha pego gosto!

Esse é o Julián Aznar & The Maidens. Rock eletronico, com toques de New Order e Joy Division. A descrição do vídeo diz que ele é o “electric gigoló argentino”.

Fresno – Cemitério das Boas Intenções

De volta ao mercado independente por opção própria [e não pela falta dela], a Fresno parece querer romper com seu lado radiofônico e com a imagem de banda emo [na visão midiática, de quem não conhece o assunto] em Cemitério das Boas Intenções, EP lançado em dezembro, de graça, na web.

Confiante de seu tamanho no mercado, a banda pesou na sonoridade e principalmente nas letras. Aos fãs das canções de amor sobre “eu-e-você” e aos que vêem a Fresno como um grupo que faz músicas para adolescentes, é um tapa na cara.

O álbum abre com Crocodilia. Instrumentos mais altos e uma letra que não precisa dar todas as palavras para dizer do que se trata [Não, não, não acredito em inferno / É só uma ilusão, o sofrimento é eterno/ Não, não, não acredito em saída/ É só uma ilusão, facilita a vida]. É a melhor das quatro canções do EP.

O peso e a descrença continuam em A Gente Morre Sozinho. A canção também deve causar um impacto aterrorizador aos fãs de todas as épocas do grupo, incluindo os mais antigos, da época independente, já que o tema da letra também vai de frente ao bom mocismo e as crenças religiosas de uma forma geral [Perguntaram para mim / Pra onde eu vou, de onde eu vim / E eu respondi com um olhar / Pedindo ajuda, sem encontrar].

A sonoridade é mais suave em Não Vou Mais e a canção parece ter um tom mais íntimo e pessoal, porém um recado direto chega nas últimas estrofes: “Eu já pedi pra Deus pra ele me salvar / Mas quando abro os olhos / Não acredito em nada”.

A última faixa é uma regravação acústica de Relato de Um Homem de Bom Coração, do álbum anterior, Revanche. A música destoa do clima das outras, mas já havia me chamado a atenção quando foi lançada. Ainda fico sem entender a crítica feita sobre “a vida na estrada” e a situação do artista popular. Afinal, não é o que a banda sempre desejou? Ou eu não entendi a letra?

É cedo para dizer como será a reação dos fãs, mas por pior que seja a resposta, a Fresno tem uma longa trajetória e uma longa base e um possível “tropeço” pode ser revertido, caso eles decidam não deixar a audiência pop.

Para concluir, deixo aqui uma resposta que o Lucas deu para mim há dois anos, durante o show de estréia do Beeshop, e que pode esclarecer um pouco sobre a mudança nos rumos do grupo e de sua carreira artística pessoal. Creio que a visão dele mudou apenas nos termos de “se a gravadora continua me apoiando”, mas a atitude musical é a mesma, o que me faz apostar que a Fresno não tem pretensões de voltar atrás em seu rumo.

À época, em dezembro de 2009, perguntei ao Lucas se ele pretendia ser o “Chris Cabarra do Brasil” [o fundador do Dashboard Confessional], já que o Beeshop fazia uma música muito parecida. O que ele me respondeu: “com certeza, quero ser sim. Queria ser até mais. Vamos falar de sonhar aqui, eu gostaria de ser o Jack White do Brasil. De ter a Fresno e tudo mais que eu tiver na cabeça. Eu gosto de música eletrônica séria, como LCD Sound System [atualmente, ele tem o SIRsir], então não duvido que daqui alguns anos eu tenha um projeto nessa linha também. Gosto de dar vazão a tudo que eu faço, e se a gravadora continuar me apoiando como agora, de até levar o Beeshop para a rádio, então pode dar muito certo”


Soulstripper: o quanto um clipe bem sacado pode bombar uma banda

Já tem cinco meses que bombou na rede um vídeo chamado Não Trocaria um Sorvete de Flocos por Você. Uma música meio fofinha, levemente safada e que, com um vídeo muito bem feito, rendeu uma fama até então desconhecida para o Soulstripper.

Se não me confundo, em 2007, recebi um EP deles. Achei genial uma banda ter letras bem sacadas sobre ser um puta cafajeste, tratando de amor sem choro. Nunca tinha escutado algo parecido e os entrevistei, resenhei o EP, fui em alguns shows e, em 2009, escrevi o release do primeiro full álbum deles [o mesmo que estão trabalhando agora]. E sempre me perguntava por que raios a banda não estava “famosa”, pois faziam algo original.

Eis o que faltava para dar uma guinada na carreira neles: um belo vídeo. Que veio justamente quando a banda estava parada. Eles finalizaram as gravações de As Mulheres e Todos os Problemas que vem com Elas em 2009 e entrararam em hiato poucos meses depois.

Por acaso, voltaram em 2011 pouco antes de finalizar o clipe e só após um ano e meio começaram de verdade a trabalhar o CD. Uma música antiga [e boa por si só], com um vídeo novo e original. Resultado: um milhão de views no YouTube. O clipe entrou na programação da MTV, eles foram para a TV, voltaram aos palcos e fizeram 11 shows [a partir de setembro, pois o vocalista, Bruno, estava viajando], incluindo visitas em Salvador, Curitiba e Feira de Santana [neste, sendo a principal atração de um festival chamado Feira Noise]. O show de retorno, em Piracicaba, cidade natal da banda, ganhará um mini-documentário.

Há algumas semanas, conversei com o Bruninho Fontes, vocalista do Soustripper, para saber como andavam as coisas meses após o sucesso instantâneo. Abaixo estão as respostas dele e no final do post, também tem um novo clipe, de Bonitinha, né? Fiz pra você.

Qual a história do clipe de “Sorvete de Flocos”? Quem são as crianças todas?
No final de 2009, um pouco depois de lançar o CD, um cara entrou em contato com a gente por e-mail, falando que gostava da banda e gostaria de fazer um clipe nosso. Como não tinhamos nada a perder, combinamos uma reunião e fechamos o vídeo. Logo de cara ele passou a idéia de fazer com crianças. Nesse meio tempo, a banda acabou, mas as reuniões entre eu e ele continuaram e as gravações começaram. Por coincidência a banda voltou um mês antes do lançamento do clipe. As crianças são todas filhos de amigos ou priminhos do diretor.

Ele bombou meio por acaso, não? Se não me engano, você estava viajando pela gringa quando a coisa toda rolou…
Totalmente por acaso. Apesar de ter achado o clipe legal, não imaginavamos que iria causar tudo isso. Fui viajar para os Estados Unidos logo depois que o clipe estourou, curti a maior parte do sucesso de longe.

O que mudou depois dele? Mais shows? TV? Cachê?
Mudou bastante coisa, mas não tanto quanto imaginam. Nós somos os mesmos, o som é o mesmo, a idéia e como levamos as coisas são as mesmas. Ainda ralamos tanto quanto antes, até mais. Participamos do Acesso MTV e do Legendários o clipe está rolando na programação da MTV.

Consequentemente, mais shows e o cachê um pouco maior. Na cena independente [o que ainda existe dela] é bem básica a relaçãocom produtores: quanto mais publico você tem, maior pode ser o seu cachê. E claro que o clipe ajudou muito, fazendo o nosso som chegar em uma galera que ainda nunca tinha escutado.

Como é bombar com músicas lançadas há tanto tempo? Estão pensando em lançar músicas novas?
As músicas são velhas só para nós! Para a galera que está conhecendo agora é novo, muito novo. E como a banda acabou logo depois que lançamos o CD, achamos que ele ainda tinha que ser trabalhado. Mas claro, já estamos gravando músicas novas e até janeiro já tem coisa rolando por aí.

A ideia do novo clipe [Bonitinha, né? Fiz pra Você] é também atrair pelo lado “fofinho”? Quais os planos para 2012?
Queremos apenas ser originais e divertidos, só. Não tentamos igualar o outro, ele foi único e importante pro nosso trampo, mas agora as coisas seguem.

Para o próximo ano, queremos tocar, tocar muito, na maior quantidade de cidades possíveis, conhecer a maior quantidade de garotas possível, botar a guitarra nas costas todo o final de semana e compensar todo o tempo que ficamos separados.